quinta-feira, 10 de outubro de 2019

A CUSTÓDIA CAPUCHINHA DO MARANHÃO


Com a criação da Prelazia de Grajaú pareceu que a Missão deveria concentrar todos os seus esforços ao ponto de se confundir com ela. Inicialmente esse era o plano de ação de alguns missionários, ao ponto de haver a orientação de deixar algumas residências, exceto o Convento do Carmo.

Convento do Carmo, sede da Custódia Capuchinha do Maranhão


Na realidade, além do Carmo, continuaram funcionando as casas de Belém e Fortaleza, mantendo o Ceará e o Pará abertos aos trabalhos dos missionários, apesar das saídas do Prata (1921) e Canindé (1923). Com esse intuito, a missão não foi somente um meio de implantar a Igreja no Norte e Nordeste, mas também uma forma de implantar do Carisma Franciscano-capuchinho, por isso os superiores da ordem já começaram a dar acenos sobre a implantação da formação dos candidatos à vida religiosa.
Assim, após a morte de Dom Roberto Colombo (1927), a missão começa a encaminhar projetos próprios de formação e missão. Dom Roberto acumulava as duas funções, de bispo prelado e superior regular. Com a eleição de Dom Emiliano Lonati, a direção da missão foi entregue a Frei Estevão de Sexto, depois a Frei Silvério de Calvairate e sucessivamente entregue a frei Bernardino de Mornico. Isso foi reforçado com a visita do enviado do governo geral frei Emilio de Ascoli e o provincial da lombardia frei João Crisóstomo de Clusone.

Janeiro de 1936: Visita do Ministro Provincial da Lombardia Frei João Crisóstomo de Clusone (ao centro). Acompanhado de seu secretário Feei Alipio, o provincial visita a familia religiosa de Carolina-MA: Frei Matias de Ponteranica, Frei Honorio de Origgio, e Frei Abramo da Turate.


Após todo este trabalho preparatório, no dia 26 de agosto de 1937 a Missão Capuchinha do Norte do Brasil foi feita Custódia Provincial, sendo primeiro custódio frei Gaudêncio de Rescalda. No ano de 1940 sucedeu-lhe frei Onório de Origgio, que comandou a custódia no seu período mais difícil: a II guerra mundial. Em 1946, o cargo foi assumido por frei Cesário Minali, diligente secretário do Bispo Dom Emiliano. No ano de 1952, foi escolhido frei Adolfo Bossi.
No ano de 1948, a missão foi visitada por frei Benigno de S. Hilário (que depois viria a tornar-se Ministro Geral). Sua visita foi crucial na sistematização das casas de formação próprias da Custódia.

O EPISCOPADO DE DOM EMILIANO LONATI


Com a morte de Dom Roberto Colombo, ocorrida em 1927, a Prelazia de Grajaú ficou vacante até 1930, quando o então vigário capitular frei Emiliano de Brescia foi eleito o segundo bispo prelado. Dom Emiliano foi sagrado bispo na catedral de Brescia – Itália, ainda em 1930. Chegou à Barra do Corda em janeiro de 1931, passando por Alto Alegre.

Dom Emiliano Lonati de Brescia


A obra de Dom Emiliano foi vasta: visitas pastorais, desobrigas, construções, catecismos, escolas, catequese... Dom Emiliano trouxe da Itália ainda o padre médico frei Alberto Beretta, merecidamente conhecido com o epíteto de apóstolo da Prelazia.
Em 1939, o Papa Pio XII criou a nova Prelazia do Gurupi, chamada de Pinheiro, que abrangia também Turiaçú e a paróquia anexa de Carutapera. Os capuchinhos deixaram Turiaçú em 1945.
Assim, com a Prelazia de Grajaú, os frades redirecionaram a sua linha de trabalho: além dos santuários, os frades também assumiram a cura de paróquias.
RESUMINDO:
O período que abrange os anos de 1901 a 1937 foi marcado de dois grandes acontecimentos: A tragédia de Alto Alegre e a Prelazia de São Jose de Grajaú.
a)      No dia 13 de março de 1901, em Alto Alegre se consumiu o massacre de quatro frades capuchinhos, sete religiosas capuchinhas, dois leigos terciários e cerca de 200 cristãos. Logo após o massacre, nasciam as primeiras vocações da missão.
b)      Os frades abriram residência na Igreja do Sagrado Coração de Jesus em Fortaleza, capital do Ceará. Assim, completou-se o quadro inicial da missão, que abrangia os estados do Maranhão, Ceará e Pará. Um território imenso. Em 1904, frei João Pedro fundou a congregação das irmãs missionárias capuchinhas, para ajudar os frades na missão do Maranhão.
c)      Em 1922 nascia a prelazia de São José de Grajaú, que compreendia metade do estado do Maranhão. Como primeiro bispo foi nomeado Frei Roberto Colombo, então superior regular.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

ALTO ALEGRE E A PRELAZIA DE GRAJAÚ (parte 3)


Assim, a missão dos capuchinhos no Norte e Nordeste do Brasil ganhou dois objetivos: Plantatio Eclesiae e Plantatio Ordinis. A primeira foi bem mais notória, sendo que além do trabalho dos frades nas capitais, a missão no interior era bem mais específica e intensa, concentrando-se nas desobrigas e santas missões. Foi inevitável que o testemunho de amor pela missão começasse a dar frutos: a partir de 1901, logo após o massacre, ingressaram na vida religiosa frei Lourenço de Alcântara, frei José de Castanhal e frei Bernardo de Viçosa, sendo precedidos depois por uma interminável fila de santos e bons frades nativos.
Assim, quase depois de trinta anos de missão, a Igreja reconheceu por definitivo os frutos do trabalho dos capuchinhos. No dia 10 de fevereiro de 1922 o Papa Pio XI, através da Bula Rationi Congruit elevou o território do centro-sul do Maranhão a Prelazia, com sede na cidade de Grajaú, onde os frades haviam chegado em 1912.

Pio XI
A Prelazia de São José de Grajaú, no ato de sua criação, tinha uma superfície de mais de um terço do atual território do Maranhão, compreendendo uma população de 103 mil habitantes nos centros urbanos, com exceção da zona rural, que naquela época era imensa[i]. No ato de sua criação, a Prelazia era constituída de seis imensas paróquias:
Santa Cruz – Barra do Corda

Nosso Senhor do Bonfim – Grajaú

São Pedro de Alcântara – Carolina

Nossa Senhora da Conceição – Porto Franco

São Francisco Xavier – Turiaçú;

Santa Tereza D’Avila – Imperatriz

Como primeiro Bispo prelado foi escolhido frei Roberto Colombo, então superior regular. Frei Roberto já havia sido escolhido como Administrador Apostólico da nova prelazia já na bula de ereção. A sua nomeação para bispo só aconteceu em 1924, com o breve Comissum humilitati Nostrae. A sua nomeação aconteceu quando ele encerrou a sua terceira visita pastoral, na qual alcançou 2700 km, a cavalo ou barco.[ii]


Dom Roberto Colombo - Primeiro Prelado de Grajaú

Frei Roberto foi sagrado bispo na Catedral da Sé em São Luís, em 1925. Em fevereiro de 1926 ele tomou posse de sua prelazia. Em seu apostolado em Grajaú iniciaram obras que ainda hoje perduram: colégios, escolas, residências missionárias, capelas, bibliotecas, etc. O trabalho foi tanto que Dom Roberto faleceu em Fortaleza, no dia 08 de novembro de 1927, vítima de exaustão.
Organização e presença dos missionários na criação da Prelazia (1922):
Paróquia de Grajaú:
Frei Alfredo de Martinengo – pároco
Frei Natal de Besana – Desobriga
Frei Apolônio de Desenzano
Frei Galdino de Pradalunga
Frei José de Castanhal

Paróquia de Carolina:
Frei Lourenço de Alcântara – pároco
Frei Emiliano Lonati – desobrigante
Frei Matias de Ponterânica
Frei Graciano de Arcisate
Frei João Pedro de Belém

Paróquia de Imperatriz:
Frei Cirilo de Bergamo – pároco (substituído depois por Frei Querubim de Carpiano)
Frei Gaudêncio de Resacalda – desobrigante
Frei Aleixo de Fortaleza

Paróquia de Barra do Corda:
Frei Ricardo de Dovera – pároco
Frei Teobaldo de Monticelli – desobrigante
Frei Carmelo de Brescia
Frei Angélico de Porongaba

Paróquia de Turiaçú:
Frei Miguel de Origgio – pároco
Frei Bernardino de Mornico – desobrigante
Frei Eugenio de Moretta
Frei Simpliciano de Abbiategrasso
Frei Francisco de Ourém

A Prelazia enriqueceu-se com a presença das irmãs capuchinhas de frei João Pedro. Em Grajaú elas chegaram em 1922, a Turiaçú chegaram em 1923 e Imperatriz em 1926.




[i] NEMBRO, Metódio de. São José de Grajaú: a primeira Prelazia do Maranhão. Fortaleza: Edições A voz de São Francisco, 1955.
[ii] Ibid.

sábado, 28 de setembro de 2019

ALTO ALEGRE E A PRELAZIA DE GRAJAÚ (parte 2)


Diante de todas as dificuldades impostas por diversos fatores elencados anteriormente, as tensões e equívocos cumularam no massacre ocorrido na madrugada do dia 13 de março de 1901.
Segundo o relato de testemunhas, eram cinco horas da manhã, daquele fatídico domingo, enquanto frei Zacarias subia ao altar para rezar a missa, na presença de todas as irmãs e as alunas bem como alguns fiéis, um grupo armado de indígenas entrou na capela, atirando em todos os presentes. O assalto espalhou-se por toda a colônia, de modo que até as fazendas da vizinhança também foram alvos do massacre. Os corpos dos frades e das irmãs foram jogados em uma vala próxima ao convento das irmãs. Foram mortos quatro frades, sete irmãs, dois terciários da OFS e, segundo os relatos, cerca de 200 cristãos, entre colonos, fazendeiros e alguns índios. O massacre de Alto Alegre é o maior massacre de índios contra brancos na história do Brasil. O grupo dos frades massacrados era composto por:
Frei Rinaldo de Paullo, que havia sido o superior regular da Missão e havia retornado à Alto Alegre havia pouco tempo;
Frei Zacarias de Malegno, que embora morando na fraternidade de Barra do Corda, estava em Alto Alegre a fim de consertar um sino;
Frei Vítor de Luranno, responsável dos trabalhos da colônia, sobretudo na operação da lavoura e do cultivo de lã.
Frei Salvador de Albinno, frade não clérigo, mas de grande valia, sobretudo na iniciação cristã dos colonos;
As irmãs capuchinhas de Madre Rubatto, que na época ainda eram uma jovem congregação, tiveram sete de suas filhas ceifadas precocemente. Seis italianas e uma brasileira; eram elas: Ir. Eufêmia, Ir. Inês, Ir. Eleonora, Ir. Maria, Ir. Benedita, Ir. Natalina e Ir. Ana Maria de São Luís.[i] Também tiveram suas vidas ceifadas os leigos: Dona Carlota de Barra do Corda e Pedro Novaresi, italiano. Os dois eram membros da Ordem Terceira Franciscana.




Os restos mortais dos frades e irmãs mortos em Alto Alegre estão encerrados em uma urna marmórea em uma das capelas laterais da igreja matriz de Barra do Corda desde 1951.

Desde 1951, a fachada da igreja matriz de Barra do Corda exibe as efígies dos frades e irmãs tombados em Alto Alegre.


Após o massacre, somente depois de um mês, os frades, com o apoio da força policial, puderam retornar a Alto Alegre. frei Carlos, que além de ocupar a função de superior regular, era também encarregado da Colônia do Prata, ficou profundamente abalado com a cena trágica, atingido na mente e no corpo.
O massacre de Alto Alegre fez a missão tomar outros rumos. Naquele ano, tornou-se superior regular Frei João Pedro de Sexto San Giovanni, então guardião do Convento do Carmo. Frei Carlos foi transferido para a fraternidade de Belém. A Colônia do Prata passou então a ser dirigida pelo jovem frei Daniel de Samarate.
O massacre repercutiu imediato e enormemente em toda a missão. Frei Davi de Desenzano de Canindé e Frei Daniel de Samarate da Colônia do Prata enviaram seus pêsames. No dia 23 de março, foram celebradas na Igreja do Carmo as exéquias solenes dos mártires, com a presença do governador Torreão, dos lideres da política do estado, além da alta classe social da época. A missa foi cantada pelo coro e regência do maestro Antonio Rayol. Em Barra do Corda, o vigário frei Estevão ordenou logo a construção de uma pequena capela-jazigo para os frades e as irmãs. Os frades de Alto Alegre ficariam para sempre lembrados no coração dos missionários.
As irmãs capuchinhas de Madre Rubatto também direcionavam suas filhas para outras missões. Por conta disso, para atender a urgente necessidade de uma presença feminina no instituto indígena do Prata, em 1904, frei João Pedro fundou uma congregação para ajudar os frades na missão. Das décadas que se seguiram, o trabalho missionário entre os índios seguiu-se de modo tímido e mais sistemático. A partir de então, os frades direcionavam as suas energias para outra atividade típica dos padrões da Ordem: Os Santuários.
Elencamos de maneira rápida três exemplos do trabalho dos capuchinhos nas capitais, sobretudo na ajuda aos pobres e no sacramento da confissão:

·         São Luís, Igreja do Carmo: depois que os frades assumiram a igreja e o convento, trataram de tornar o Carmo como um grande centro de evangelização. O serviço dos frades caracterizou-se pela confissão, assistência religiosa na catedral e adjacências, além da capelania de hospitais e escolas católicas. A instrução católica no Maranhão, a partir de São Luís, era o combate a doutrinas consideradas anti-cristãs ou ocultistas. Em 1913 os frades conseguiram in perpetuum o convento do Carmo, por meio de um leilão no Rio de Janeiro. No mesmo ano chegam oficialmente no bairro do Anil, onde as irmãs capuchinhas também inauguram uma escola.
·         Belém do Pará, Igreja São Francisco: No Pará, capital do estado, os frades iniciam a obra do pão dos pobres de Santo Antônio, além do trabalho na periferia de uma cidade que estava em constante crescimento. A atividade dos missionários em Belém foi mais específica, conquistando boa fama e tradição entre os paraenses. No interior, os frades também fizeram algumas missões em algumas pequenas cidades próximas à capital.
·         Fortaleza, Santuário do Sagrado Coração de Jesus: Foi na capital do Ceará que a obra dos capuchinhos pareceu mais original: pregações nas campanhas religiosas e novenários, mutirão de confissões e funções religiosas. O Santuário do Sagrado Coração de Jesus tornara-se o centro da misericórdia na capital do Ceará.

Santuário Sagrado Coração de Jesus (Fortaleza-CE)

Santuário São Francisco (Belém-PA)

Igreja do Carmo (São Luís-MA)





[i] MICHELI, Camilo. Clarões de bondade e heroísmo das sete religiosas massacradas. Fortaleza: Edições A Voz de São Francisco, 1951.

ALTO ALEGRE E A PRELAZIA DE GRAJAÚ (parte 1)

Capela São José da Providência em Alto Alegre (Foto de 1980).


ALTO ALEGRE E A PRELAZIA DE GRAJAÚ
A catequese entre os índios foi uma das principais finalidades da missão, sempre defendida pelo fundador e pai Frei Carlos de S. Martino Olearo. Antes de serem oficialmente fundadas as colônias de Alto Alegre e Prata, os frades, sempre encabeçados por fr. Carlos, visitaram mais de 20 aldeias nas redondezas de Barra do Corda e no Pará, ao longo do rio Capim e no Maracanã.
A colônia de Alto Alegre teve seus inícios em 1896, sendo fruto de acordos entre os capuchinhos e o governo brasileiro. Na cidade de Barra do Corda os frades mantinham uma escola em regime de externato para os indígenas do sexo masculino. Com a presença de uma comunidade religiosa no meio das aldeias Guajajara idealizou-se então uma colônia agrícola, com uma escola em regime de internato, a ser gestido por uma congregação de irmãs. Em 1898, o então superior regular frei Rinaldo de Paullo conseguiu em Gênova uma congregação de irmãs que pudessem cuidar do internato de Alto Alegre. Conseguindo falar com Madre Francisca Rubatto, fundadora de uma congregação de irmãs capuchinhas, elas deveriam estar em Alto Alegre no inicio do ano seguinte. Vindas de Montevidéu, no Uruguai, as irmãs chegavam a São Luís do Maranhão. Eram seis. Passando por São Luís, uma jovem terciária chamada Ana Maria acabou se encantando com o testemunho missionário e entrou na congregação.
Depois de dois meses de penosa viagem desde são Luís, as irmãs chegaram a Barra do Corda, ovacionadas pela população local. Em Alto Alegre, juntamente com os frades, elas deveriam tomar conta de uma população de cerca de quarenta aldeias que circundavam a colônia. Juntamente com as irmãs, trabalhavam os frades: Frei Celso de Uboldo, diretor da colônia, frei Salvador de Albino e frei Zacarias de Malegno. Frei Carlos de San Martino, que naquele período já não era mais o superior regular, estava na fundação da colônia de Santo Antônio do Prata.
No ano de 1900, com a sucessiva renomeação de frei Carlos como superior regular da Missão, frei Rinaldo voltou novamente à Alto Alegre. Em um espaço de oito anos, a colônia de Alto Alegre crescera, e tendo como objetivo a educação indígena, os frades logo acolheram também as filhas de alguns fazendeiros e colonos que moravam na região. Entretanto, alguns acontecimentos acabaram por dificultar o trabalho dos missionários na missão de Alto Alegre. Entre os quais, destacam-se:
·         A Epidemia de sarampo (1900) que matou quase a metade das meninas índias, gerando um mal estar no relacionamento entre as irmãs e as mães das crianças;
·         Os frades não eram muito bem vistos pelos comerciantes de Barra do Corda e Grajaú, bem como outros da capital, por conta do desenvolvimento da colônia agrícola, sempre em caminho para autonomia econômica;
·         A punição dada ao índio João Caboré (líder de grande influência entre os índios) por este, apesar de ter contraído matrimônio segundo as leis da Igreja, acabou por possuir uma concubina; o cacique Caboré foi punido pelos frades e acabou desentendo-se com eles.
·         A morte de frei Celso de Uboldo, por febre amarela. Frei Celso havia sido o diretor da colônia, e era muito estimado entre os índios.
O índio Caboré, que outrora havia fugido da colônia, tinha prometido vingança. Em janeiro de 1901, ele se encontrou em São Luís, no Palácio dos leões, com o então governador do estado João Gualberto Torreão da Costa, e foi-lhe conferida a “patente” de chefe supremo dos índios Guajajara no Maranhão; e mais, ainda lhe foram cedidas armas e munições. Segundo as crônicas dos jornais e de outras publicações que por muito tempo foram difundidas, Caboré saiu de São Luís e passou por diversas aldeias de todo o estado, rumo à Alto Alegre, para efetuar sua vingança.
Os acontecimentos de Alto Alegre sempre foram objeto de discussão de diversos antropólogos, sociólogos, historiadores, dentre outros. Porém, não se pode desconsiderar o trabalho e a coragem dos frades e irmãs que se doaram pela missão; se doaram até a morte, e por causa disso se tornaram ícones na história da atividade missionária no Maranhão. A versão tida como “oficial” da narração do sucessivo massacre que ocorreu em Alto Alegre foi por muito tempo difundida pelos jornais na época, e em outras publicações dos capuchinhos, no Brasil e na Itália.



sábado, 27 de abril de 2019


FREI FRANCISCO DE CHIARAVALLE
"O Arquiteto de Deus"

Missionário no Brasil (1926)


Frei Francisco, (Luigi Lorenzetti), nasceu em Chiaravalle (Milão), em 27-06-1898. Filho da Provincia de San Carlo Borromeo in Lombardia, fez o noviciado no convento da Santíssima Anunziata, iniciando no dia 31-08-1915, e professando os votos em 03-09-1916. sua ordenação sacerdotal se deu em Milano (Mi), 12-07-1925. foi soldado na I Guerra mundial. Logo em seguida, foi enviado ao Brasil, como missionário na Missão Capuchinha do Norte do Brasil. Sua primeira função foi pregar como missionário itinerante no interior do Maranhão. Depois, foi nomeado "Desobrigante" em Imperatriz (1933); depois, nomeado pároco de Santa Tereza, na sede (1935), demoliu a antiga igreja - velha e arruinada - e construiu logo outra mais imponente, juntamente com um convento-colégio, mais tarde totalmente cedido as irmãs capuchinhas (1946), com capacidade de abrigar 50 internos e 300 alunos externos, entre meninos e meninas; (1937); Vigário em Grajaú-MA e responsável da construção da Catedral (1938-1948) e do Palácio Episcopal (1947); Responsável da reforma e construção do Colégio educandário S. José da Providência das irmãs capuchinhas em Barra do Corda, onde ainda ergueu ima pequena igreja, dedicada a S. Antonio, que servia de capela para ao colégio (1942-43); Construtor do Convento de Parnaíba-PI (1949); Vigário em Barra do Corda-MA, responsável pela construção da nova Igreja Matriz em memória dos mártires de Alto Alegre (1950-51); Construtor do Complexo formado por Igreja (dedicada a São Francisco), Convento, Seminário, Escola, Abrigo de Romeiros e a Praça das almas, em Juazeiro do Norte-CE (1956); Reconstrutor da Igreja do Sagrado Coração de Jesus em Fortaleza-CE (1957). Ajudante na construção do Convento de Sobral (1965); Vigário Paroquial em Belém do Pará; Confessor no convento do Carmo em São Luís-MA.
Frei Francisco faleceu em Bérgamo (Bg), aos 10-09-1971

Contribiu muito para a Igreja e a Ordem, como Mestre de obras, Engenheiro e Arquiteto por experiência; Músico, enquanto morou em Barra do Corda-MA, em Juazeiro do Norte-CE e Fortaleza-CE, foi organista do carrilhão das torres das igrejas que ele mesmo construiu.

Eis algumas de suas obras:

Igreja Santa Tereza d'Avila em Imperatriz: 1935


Antiga igreja de Santa Tereza D'Avila em Imperatriz (foto de 1927)


Catedral Nosso Senhor do Bonfim - Grajaú/MA: 1938-1941



Antigo convento dos frades em Grajaú (atual casa do Bispo): todas construções de Frei Francisco.



Igreja Matriz de Barra do Corda (1951)



Santuário São Francisco das Chagas - Juazeiro do Norte-CE (1956)




Santuário do Sagrado Coração de Jesus - Fortaleza-CE (1957)



sábado, 6 de abril de 2019

DOM FREI MARCELINO BÍCEGO


      BISPO MARCELINO DE CUSANO MILAMINO  (Dom Marcelino)

Caríssimos! depois de tanto tempo, vamos retomar algumas postagens. Hoje vamos falar de uma dessas pessoas que ficam marcadas na história de um povo; não só na história, mas no coração. Frei Marcelino é um exemplo.


Dom Marcelino, já como Bispo, ao lado de alguns seus ex-alunos, em Barra do Corda, 1971.

Dom Marcelino em Barra do Corda, 1971.

Dom Marcelino em Carolina-MA

Frei Marcelino em Barra do Corda, ao lado do popular Zequinha Vilanova.

Dom Frei Marcelino Bícego de Milão
Italiano, missionário capuchinho, marcou a vida de muitos frades capuchinhos (pois foi formador nos conventos do Ceará e Piauí), e também do povo de Deus presente nas dioceses de Grajaú em Carolina, no Maranhão. Lembrado sejas, Frei Marcelino, você que veio incialmente para ser professor nos nossos estudantados. Aliás, não há um jovem ou adolescente que não conheça uma Escola "Dom Marcelino" em Açailândia, Barra do Corda, Carolina, Estreito, Imperatriz ou Porto Franco. Deus te guarde, grande Dom Marcelino.


UM POUCO DE SUA VIDA:
Frei Marcelino, (nome civil: Sergio Bicego), é mais conhecido pelos frades com o seu nome religioso: Marcelino de Cusano Milamino. Porém, o Povo de Deus o chamava de Frei  MARCELINO BÍCEGO. Ele nasceu em Vincenza (Itália), no dia 18-06-1920, mas foi criado em Cusano Milamino-Milão. Frei Marcelino é filho da Provincia Capuchinha de San Carlo Borromeo in Lombardia, entrando na Ordem dos Capuchinhos em Lovere (Mi), aos 13-07-1938; lá fez a sua profissão temporária, após o noviciado, em 14-07-1939; depois, fez os votos perpétuos em Lenno (IT), 14-07-1942. A sua ordenação presbiteral se deu em Milão, no dia 26-07-1945.

MISSIONÁRIO NO BRASIL!

Logo ao chegar no Brasil, foi enviado ao Ceará, para ser professor de Teologia e Bíblia no Seminário de Messejana (1946); depois, foi novamente professor e diretor no estudantado de Parnaíba-PI (1950); Saindo do círculo dos estudos, foi nomeado Vigário em Carolina-MA (1956); e depois se tornou Vigário da Paróquia Santa Cruz e diretor do Colégio “Nossa Senhora de Fátima” em Barra do Corda-MA (1957); Nesta cidade, consagrou o seu apostolado. a nível mais interno, na Custódia do Maranhão, foi Conselheiro na Custódia (1964);
Com a morte do Bispo de Carolina, Dom Cesário Minali, foi nomeado bispo em Brasília, no doa 28-05-70. Foi Sagrado Bispo pelo Arcebispo de São Luís Dom Mota Albuquerque na Igreja de Fátima em Imperatriz-MA (1971); Em Carolina, consegue na Santa Sé elevar a prelazia de São Pedro de Alcântara de Carolina à Diocese de Carolina (1979); trouxe para a Diocese de Carolina as Missionárias Franciscanas da OFS (1970), Irmãs Sacramentinas de Bérgamo (1973), Irmãs Teresianas (1973) e as irmãs Canossianas (1978); Inaugurou a Vila João XXIII em Imperatriz, para os hansenianos (1974).
Como Bispo, ordenou o primeiro padre diocesano de Carolina (1976); Ordenou ainda, nos anos seguintes, mais dois padres e cinco diáconos; Seu Lema de Brasão: Servire et amare: Servir e amar
Dom Marcelino, serviu e amou. Amou e foi amado. Faleceu em Belém-PA, 22-01-1980, em seguida foi enterrado em Carolina-MA. Chorado pelos fiéis de Imperatriz, onde morava, Carolina e Barra do Corda. Inúmeras foram as manifestações de apreço e saudade. Até hoje é lembrado.

REQUIESCAT IN PAX!

Paz e Bem!