sábado, 27 de abril de 2019


FREI FRANCISCO DE CHIARAVALLE
"O Arquiteto de Deus"

Missionário no Brasil (1926)


Frei Francisco, (Luigi Lorenzetti), nasceu em Chiaravalle (Milão), em 27-06-1898. Filho da Provincia de San Carlo Borromeo in Lombardia, fez o noviciado no convento da Santíssima Anunziata, iniciando no dia 31-08-1915, e professando os votos em 03-09-1916. sua ordenação sacerdotal se deu em Milano (Mi), 12-07-1925. foi soldado na I Guerra mundial. Logo em seguida, foi enviado ao Brasil, como missionário na Missão Capuchinha do Norte do Brasil. Sua primeira função foi pregar como missionário itinerante no interior do Maranhão. Depois, foi nomeado "Desobrigante" em Imperatriz (1933); depois, nomeado pároco de Santa Tereza, na sede (1935), demoliu a antiga igreja - velha e arruinada - e construiu logo outra mais imponente, juntamente com um convento-colégio, mais tarde totalmente cedido as irmãs capuchinhas (1946), com capacidade de abrigar 50 internos e 300 alunos externos, entre meninos e meninas; (1937); Vigário em Grajaú-MA e responsável da construção da Catedral (1938-1948) e do Palácio Episcopal (1947); Responsável da reforma e construção do Colégio educandário S. José da Providência das irmãs capuchinhas em Barra do Corda, onde ainda ergueu ima pequena igreja, dedicada a S. Antonio, que servia de capela para ao colégio (1942-43); Construtor do Convento de Parnaíba-PI (1949); Vigário em Barra do Corda-MA, responsável pela construção da nova Igreja Matriz em memória dos mártires de Alto Alegre (1950-51); Construtor do Complexo formado por Igreja (dedicada a São Francisco), Convento, Seminário, Escola, Abrigo de Romeiros e a Praça das almas, em Juazeiro do Norte-CE (1956); Reconstrutor da Igreja do Sagrado Coração de Jesus em Fortaleza-CE (1957). Ajudante na construção do Convento de Sobral (1965); Vigário Paroquial em Belém do Pará; Confessor no convento do Carmo em São Luís-MA.
Frei Francisco faleceu em Bérgamo (Bg), aos 10-09-1971

Contribiu muito para a Igreja e a Ordem, como Mestre de obras, Engenheiro e Arquiteto por experiência; Músico, enquanto morou em Barra do Corda-MA, em Juazeiro do Norte-CE e Fortaleza-CE, foi organista do carrilhão das torres das igrejas que ele mesmo construiu.

Eis algumas de suas obras:

Igreja Santa Tereza d'Avila em Imperatriz: 1935


Antiga igreja de Santa Tereza D'Avila em Imperatriz (foto de 1927)


Catedral Nosso Senhor do Bonfim - Grajaú/MA: 1938-1941



Antigo convento dos frades em Grajaú (atual casa do Bispo): todas construções de Frei Francisco.



Igreja Matriz de Barra do Corda (1951)



Santuário São Francisco das Chagas - Juazeiro do Norte-CE (1956)




Santuário do Sagrado Coração de Jesus - Fortaleza-CE (1957)



sábado, 6 de abril de 2019

DOM FREI MARCELINO BÍCEGO


      BISPO MARCELINO DE CUSANO MILAMINO  (Dom Marcelino)

Caríssimos! depois de tanto tempo, vamos retomar algumas postagens. Hoje vamos falar de uma dessas pessoas que ficam marcadas na história de um povo; não só na história, mas no coração. Frei Marcelino é um exemplo.


Dom Marcelino, já como Bispo, ao lado de alguns seus ex-alunos, em Barra do Corda, 1971.

Dom Marcelino em Barra do Corda, 1971.

Dom Marcelino em Carolina-MA

Frei Marcelino em Barra do Corda, ao lado do popular Zequinha Vilanova.

Dom Frei Marcelino Bícego de Milão
Italiano, missionário capuchinho, marcou a vida de muitos frades capuchinhos (pois foi formador nos conventos do Ceará e Piauí), e também do povo de Deus presente nas dioceses de Grajaú em Carolina, no Maranhão. Lembrado sejas, Frei Marcelino, você que veio incialmente para ser professor nos nossos estudantados. Aliás, não há um jovem ou adolescente que não conheça uma Escola "Dom Marcelino" em Açailândia, Barra do Corda, Carolina, Estreito, Imperatriz ou Porto Franco. Deus te guarde, grande Dom Marcelino.


UM POUCO DE SUA VIDA:
Frei Marcelino, (nome civil: Sergio Bicego), é mais conhecido pelos frades com o seu nome religioso: Marcelino de Cusano Milamino. Porém, o Povo de Deus o chamava de Frei  MARCELINO BÍCEGO. Ele nasceu em Vincenza (Itália), no dia 18-06-1920, mas foi criado em Cusano Milamino-Milão. Frei Marcelino é filho da Provincia Capuchinha de San Carlo Borromeo in Lombardia, entrando na Ordem dos Capuchinhos em Lovere (Mi), aos 13-07-1938; lá fez a sua profissão temporária, após o noviciado, em 14-07-1939; depois, fez os votos perpétuos em Lenno (IT), 14-07-1942. A sua ordenação presbiteral se deu em Milão, no dia 26-07-1945.

MISSIONÁRIO NO BRASIL!

Logo ao chegar no Brasil, foi enviado ao Ceará, para ser professor de Teologia e Bíblia no Seminário de Messejana (1946); depois, foi novamente professor e diretor no estudantado de Parnaíba-PI (1950); Saindo do círculo dos estudos, foi nomeado Vigário em Carolina-MA (1956); e depois se tornou Vigário da Paróquia Santa Cruz e diretor do Colégio “Nossa Senhora de Fátima” em Barra do Corda-MA (1957); Nesta cidade, consagrou o seu apostolado. a nível mais interno, na Custódia do Maranhão, foi Conselheiro na Custódia (1964);
Com a morte do Bispo de Carolina, Dom Cesário Minali, foi nomeado bispo em Brasília, no doa 28-05-70. Foi Sagrado Bispo pelo Arcebispo de São Luís Dom Mota Albuquerque na Igreja de Fátima em Imperatriz-MA (1971); Em Carolina, consegue na Santa Sé elevar a prelazia de São Pedro de Alcântara de Carolina à Diocese de Carolina (1979); trouxe para a Diocese de Carolina as Missionárias Franciscanas da OFS (1970), Irmãs Sacramentinas de Bérgamo (1973), Irmãs Teresianas (1973) e as irmãs Canossianas (1978); Inaugurou a Vila João XXIII em Imperatriz, para os hansenianos (1974).
Como Bispo, ordenou o primeiro padre diocesano de Carolina (1976); Ordenou ainda, nos anos seguintes, mais dois padres e cinco diáconos; Seu Lema de Brasão: Servire et amare: Servir e amar
Dom Marcelino, serviu e amou. Amou e foi amado. Faleceu em Belém-PA, 22-01-1980, em seguida foi enterrado em Carolina-MA. Chorado pelos fiéis de Imperatriz, onde morava, Carolina e Barra do Corda. Inúmeras foram as manifestações de apreço e saudade. Até hoje é lembrado.

REQUIESCAT IN PAX!

Paz e Bem!

terça-feira, 18 de abril de 2017

CENTENÁRIO DA IGREJA DOS CAPUCHINHOS EM BELÉM-PA



Por Frei Luís Rota de Locatello

Irmãos caríssimos, Frei Eldi, guardião deste convento, frei José Nilton, pároco desta igreja e demais concelebrantes. Prezados paroquianos e devotos de São Francisco, é com imenso prazer que estou aqui convosco para celebrar o centenário da bênção da primeira pedra deste majestoso, solene e santo templo. Estou aqui em nome do Ministro Provincial desta Província capuchinha Nossa Senhora do Carmo frei José Rodrigues de Araújo, para representá-lo, como delegado seu, nesta circunstância festivo-histórica.


Recordando a História!

Aos 02 de outubro de 1910, foi abençoada e posta a primeira pedra neste grandioso santuário dedicado a São Francisco de Assis, fundador da Ordem franciscana, pelo Excelentíssimo e Reverendíssimo Dom Santinho Coutinho, então Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará.


As crônicas da época falam de uma participação extraordinária do povo e da presença de autoridades civis, religiosas e militares. Escrevia o jornal “A Província do Pará” no dia seguinte: “Há muito não se via uma demonstração religiosa tão ardente e tão sincera como a de ontem na colocação da primeira pedra sobre a qual se levantará o famoso Templo que terá como padroeiro São Francisco de Assis. A manifestação pública e o ardor fervoroso manifestados, desde os homens do povo até as primeiras autoridades de Belém, devem ter impressionado grandemente esses homens (capuchinhos lombardos) simples e bons que pregam, em nome de Deus, o amor ao próximo”.


Prezados irmãos da Ordem, muitos de vocês foram como eu, párocos desta paróquia, devotos de São Francisco e fiéis a esta igreja de Belém. Por causa disto hoje nos reunimos para festejar os cem anos do início da construção deste templo e reavivar o espírito de entusiasmo e fervor que tomou conta daqueles frades e daquele povo. Os frades capuchinhos lombardos e o povo não só queriam mostrar a fé e a confiança na divina providência, como também queriam ”atestar às gerações futuras a fé, a eternidade, o zelo pela glória de Deus e pela salvação das almas” (arquivo provincial). Com esta comemoração, queremos também reafirmar o nosso amor a Deus e ao próximo, a nossa dedicação à igreja e propor o ideal evangélico a todas as gerações presentes e futuras.

Testemunhas de uma fé inquebrantável!

Os frades capuchinhos lombardos se instalaram aqui em Belém em 1900, tomando conta da assistência espiritual do hospital da Ordem Terceira. Porém, desde 1898 já estavam presentes no Estado do Pará, precisamente na Colônia do Prata.


Aqui neste lugar, chamado outrora de RETIRO SAUDOSO, os frades vieram morar só em 1903, por vontade do superior regular frei Pedro de Sexto. A casa habitada por eles era uma casa muito simples. Inicialmente, construíram aqui uma capela dedicada a Nossa Senhora Auxiliadora dos Cristãos e, só depois, um convento e este novo Templo.


Ademais, os capuchinhos lombardos não foram os primeiros frades que vieram ao Pará. Já no início do século XIX, em 1803, frei Francisco de Alba acompanhava o bispo Dom Manoel Almeida de Carvalho nas visitas pastorais da imensa Diocese que abrangia os Estados do Pará e da Amazônia. Em 1806 vieram para Belém frei Pedro de São Pedro e frei Boaventura de Prado, os quais permaneceram pouco tempo. Em 1843 chegou a Belém frei Luiz de Belfort com mais sete frades. Estes, depois de um período aqui na capital, deram início às missões entre os índios ao longo do rio Amazonas e seus afluentes.


Frei Pedro Paulo de Cariana fundou a missão de Andirá, em 1845, e do rio Purus. Em 1855, entre os índios Maués. Frei Gregório Maria da Bene, em Alto Alegre, Rio Branco; em 1850, fundou uma missão entre os índios Jaricús, Apuxana, Macuxis, Saporás e Procutus. Em 1852 já tinha fundado uma missão em Waupés e Içanas. Sua atividade missionária cobria todo o trecho fronteiriço com a Venezuela e a Colômbia.


Frei Egidio de Garezzo, de 1846 a 1860, catequizou os Mundurucus nas aldeias do Curi e Jaituba, no rio Tapajós. Frei Felino de Castro Valva e frei Antônio de Albano catequizaram os Mundurucus ao longo do rio Tapajós, na Localidade Bacabal, nos anos de 1871 a 1883. Temos ainda frei Ludovico de Mazzarino e frei Carmelo como fundadores da missão entre os Jurunas do rio Trombeta.  Frei Carmelo ali morreu em 1870.


O frade suíço Cândido Sierro da Hemerance fundou a missão de “Assunção” em 1871 e a de “S. Fidelis de Sigmaringa” em 1874, coadjuvado pelos confrades Miguel Anjo da Burgio e Luiz de Piazza. Ele encontrou morte trágica numa excursão pelo rio Capim, onde queria fundar uma missão, quando foi assaltado, juntamente com um belga que ia explorar as nascentes do rio, por um grupo de índios Amanayas.


Muitos outros frades capuchinhos fizeram-se missionários da palavra de Deus e do seu Reino neste Brasil afora, seja nas grandes cidades do litoral, seja nas imensas florestas e sertões. Todos com um único desejo: salvar almas e levá-las para Deus. Podemos imaginar as muitas dificuldades que enfrentaram e os riscos que passaram advindos quer sejam pelas doenças, quer sejam pelos inimigos da fé e da justiça. Os grandes perigos não vinham tanto dos índios, que acabavam abraçando a fé, mas dos exploradores dos índios, os chamados regatões. Estes viam nos frades um obstáculo a seus imorais e injustos negócios.


É com este espírito de fé e de entrega total a Deus que os capuchinhos lombardos vieram para o Maranhão, Pará e Amazonas, no final do século XIX; e início do século XX vieram para Belém. A Igreja, através da Congregação da Propaganda Fidei via a necessidade de um trabalho missionário mais organizado que pudesse ter continuidade. Por isso, convidou várias Ordens e congregações religiosas, e entre elas a Ordem capuchinha, para que assumissem as missões e dessem continuidade ao anúncio do evangelho e à assistência religiosa, tanto entre os povos nativos, quanto nas grandes cidades da costa e nas pequenas do interior.


Os frades capuchinhos lombardos construíram este grandioso templo em uma área alagadiça, fora da cidade, no começo da mata; como se dizia, um empreendimento extraordinário para ser um centro de evangelização e de promoção humana. O novo espírito missionário não esquecia os indígenas. Os frades missionários já estavam presentes no Prata, em Ourém e em outros lugares também do Maranhão, como Alto Alegre, no interior do Estado, onde quatro frades junto com sete irmãs e numerosos fieis foram mortos pelos índios Guajajaras. Esses missionários se preocupavam em evangelizar também as grandes cidades com suas periferias. A evangelização anda sempre junto com a promoção humana. Também aqui em Belém, junto à igreja, surgiram várias iniciativas caritativas, como o “Pão de Santo Antonio”, que começou no ano de 1937, e agora ganhou novas instalações. Que se acrescente ainda outros atendimentos, como o Centro catequético e de promoção humana Santa Izabel da Hungria, a comunidade santo Antônio com o ambulatório e outras atividade promocionais, a creche do Pantanal e o projeto de adoção à distancia. Tudo isto mostra as atividades sociais aqui desenvolvidas pelos frades capuchinhos com toda a comunidade.

100 anos de intensa atividade pastoral!

A construção deste templo teve um significado muito grande para os frades e toda a comunidade cristã desta cidade de Belém. A partir daqui foram desenvolvidos os grandes trabalhos de evangelização e catequese, tanto na cidade, quanto no interior. Foi desenvolvido o trabalho pastoral com a juventude. Foi pensada a Juventude Franciscana, a ordem franciscana secular e outros movimentos leigos. Daqui saíam os frades para a região de Abaietetuba, Muju, Bujaru, e outras cidades.


Por aqui passaram frades ilustres e santos: frei João Pedro de Sexto, que idealizou este convento e esta igreja; frei Carlos de São Martinho Olearo, fundador da Missão, que morou por cerca de trinta anos até sua morte em 1931; frei Daniel de Samarate, que enfrentou seu calvário de doente no leprosário do Tucunduba, com muita paciência e resignação, confiante na misericórdia divina.


O testemunho e as atividades de frei João Pedro de Sexto e de frei Daniel de Samarate foram tão intensos e exemplares que a igreja achou oportuno introduzir-lhes a causa de beatificação.


Este templo foi construído com recursos oriundos das ofertas dos fiéis desta cidade e de outras cidades do Brasil. É obrigação lembrar o venerado frei Paulo de Trescorre, que visitou as principais cidades do Brasil, angariando donativos para esta construção, juntamente com as contribuições do povo de Belém. Também as autoridades colaboraram de bom grado com a missão. O Intendente de Belém, o Senador Antônio Lemos, concedeu o terreno onde está construído o convento e a igreja.


Reafirmando o Compromisso!

Estamos aqui também para renovar o nosso compromisso com o evangelho e o Reino de Deus que se manifesta também no amor ao próximo, particularmente os mais necessitados. Foram proféticos os nossos frades quando construíram este templo. Por aqui muitos alimentaram a sua fé e muitos encontraram o caminho para Deus. Este templo material e o convento foram construídos sobre alicerces muito sólidos. Era uma área alagada, e as construções antigas não apresentam nenhuma rachadura, significando, assim, o compromisso evangélico firme e duradouro alicerçado na fé em Cristo e no amor.


Deste modo passaram os missionários lombardos. Agora esta missão já se constituiu em Província autônoma. Atualmente a grande maioria dos frades é brasileira. Contudo, o espírito é o mesmo: difundir o evangelho, testemunhar o amor misericordioso de Deus e assumir as responsabilidades do futuro da Província. A eles cabe de ora em diante a grande responsabilidade de dar continuidade ao trabalho pastoral, social, e garantir o futuro da Província, não só no campo administrativo, mas também no campo vocacional. As expectativas são boas, a disponibilidade existe. Já é presente o espírito missionário. Esta Província Nossa Senhora do Carmo assumiu uma missão em Cuba. Já passaram por lá sete frades. Quatro ainda estão lá e proximamente irão mais dois. Prevê-se em poucos anos que a Província assuma a responsabilidade de toda a missão.


Encerrando, quero agradecer, em nome do Provincial e de toda a Província, a esta comunidade pela belíssima celebração; ao frei Eldi, guardião desta casa, e ao frei José Nilton pela organização desta celebração; a todos vocês frades pela participação neste ato litúrgico e a todos os devotos de são Francisco, amantes e freqüentadores constantes desta igreja pela presença hoje aqui.


A todos, o meu muito obrigado!


segunda-feira, 6 de março de 2017

O MAGNÍFICO ALTAR DA IGREJA DO CARMO

Com a chegada dos capuchinhos no convento do Carmo em 1894, surgiu a necessidade imediata de reparar o templo sagrado, bem como o seu coro e o convento para habitação dos frades. No livro de Tombo do Convento do Carmo, datado de 1906, encontra a descrição do cronista: “Após tantos trabalhos feitos para a reforma do templo, restava somente o altar-mor que, por mais que fosse lavado e limpo, doirado, estava sempre a exigir uma reforma radical”.1 Segundo frei Rogério Beltrami, no seu livro Acordando palavras dormidas, há a percepção de que nos frades há a vontade de conservar o que poderia ser conservado, pelas expressões “limpo e doirado”. Porém, dadas às condições da velha igreja e os rumos que a Missão dos Capuchinhos no Maranhão tomava, começou-se então a “se pensar em um altar monumental, digno de uma Basílica...”2
Assim, os frades começaram a organizar, em meio à sociedade ludovicence e os assíduos féis frequentadores do Carmo, a colaboração para a construção do monumental altar-mor da Igreja do Carmo. O então superior regular frei Estevão Maria de Sexto San Giovanni recebeu, em carta datada de 28 de agosto de 1906, a benção apostólica concedida pelo Papa Pio X, a todos quantos colaborassem na ereção do altar de Nossa Senhora do Carmo.
Ainda segundo frei Rogério, o cronista do livro de tombo informa que “o altar de mármore foi construído por uma firma de Genova, sobre o esboço do engenheiro Viveiros de Castro, modificado e reduzido devido as proporções artísticas, pelos técnicos da firma, chegou ao Maranhão em quase perfeito estado [...] a Alfândega federal dispensou as pesadas taxas, por considerar o altar uma “pura obra de arte”.3
Foram precisos três anos, desde 1906, para angariar recursos e donativos para a compra do altar. Assim, no dia 23 de maio de 1909, os frades, na presença do Bispo Dom Francisco de Paula, o governador em exercício Mariano Martins Lisboa (que na época era presidente do congresso legislativo), e demais autoridades civis, militares e eclesiásticas, por volta das 15h, em uma igreja do Carmo repleta de fiéis das mais variadas camadas sociais da capital maranhense, testemunharam o assentamento da primeira pedra. Desta data em diante, seguiram-se os trabalhos de ereção do altar-mor, chefiados por Frei Lucas de San Salvatore, que segundo o Tombo de 1910, “fez com paciência e esforço durante um ano a composição e a montagem das várias partes e das diversas peças de mármore, com aquele delicado instinto que lhe era próprio”. Depois de praticamente um ano de trabalho, eis que o altar estava finalmente idealizado e terminado. O superior Frei Estevão elaborou o cronograma de eventos para a inauguração, em uma carta de 13 de março de 1910, tendo sido aprovado pelo Bispo no dia 18 do mesmo mês.
Entre os dias 10 e 11 de abril de 1910, aconteceram as solenidades de inauguração e benção do novo altar-mor da Igreja do Carmo, sendo oficiado pelo Bispo do Maranhão Dom Francisco de Paula e Silva, na presença de toda a fraternidade capuchinha, diversos clérigos e povo de Deus exultante. Na pedra do Altar foram colocadas as relíquias dos mártires São Januário, São Felix, São Xisto e Santa Agueda; também foi depositada a relíquia de São Desidério. No dia 11, o bispo celebrou a Missa pela primeira vez sobre a pedra do novo altar. Depois, proferiu um eloquente discurso, que o cronista diz ter sido “arrebatador, empolgante e fascinante...”4

Deste então, o altar-mor foi usado para as celebrações das missas na Igreja do Carmo, celebradas normalmente pelo superior maior (Superiores regulares e depois os custódios), bem como pelo superior local (Guardião do Convento do Carmo) ou outros frades de passagem por São Luís. Não se pode esquecer os Bispos e Núncios Apostólicos que celebraram neste altar, bem como outras personalidades históricas do Clero do Maranhão. Na década de 70, durante a guardiania de Frei Ângelo Olginati, foi instalado o novo altar-mesa, conforme as orientações litúrgicas do Concilio Vaticano II, porém, sem alterar em nada da arquitetura do Altar-mor.

REFERENCIAS:
1 Arquivo da Província Nossa Senhora do Carmo. Livro de Tombo do Convento do Carmo ano 1906. Vol. 1, fl. 34. p 08.
2 BELTRAMI, Frei Rogério. Acordando palavras dormidas.São Luís: SIOGE, 1994. p 83.
3 Ibid, p. 87.

4 Ibid, p. 91.

quinta-feira, 2 de março de 2017

PRESENÇA NO CEARÁ E AMAZONAS

No estado do Ceará, a convite de Dom Vieira, os frades também se instalaram primeiramente no interior, na cidade de Canindé, no ano de 1898. Na capital os frades fixaram residência em 1901, na cura do famoso santuário do Sagrado Coração de Jesus.

Igreja do Sagrado Coração de Jesus em Fortaleza-CE (foto de 1936).


No Amazonas os frades chegaram em 1905, e depois de uma tentativa mal sucedida de abrir uma missão indígena ao longo do Rio Negro, assumiram a assistência da Igreja de São Sebastião no centro da capital, Manaus. A presença no Amazonas foi breve, pois os frades entregaram a missão na Amazônia aos capuchinhos da Úmbria em 1909.

Igreja de São Sebastião - Manaus-AM.

PRESENÇA NO PARÁ

No Pará, a convite do governador do estado Paes de Carvalho, os frades também abriram outra colônia em 1898, próxima ao município de Igarapé Açu, num lugar chamado Santo Antônio do Prata. No ano 1900 os frades se instalavam na capital do estado, inicialmente no hospital da ordem terceira, depois num lugar chamado “retiro saudoso”, onde davam assistência pública na capela “Nossa Senhora Auxiliadora”. Três anos mais tarde, segundo as ordens de frei João Pedro de Sexto, então superior regular, um novo convento foi construído. A atual igreja só começou a ser erguida em 1910, sendo inaugurada em 1922.

 Igreja dos Capuchinhos em Belém-PA. Sua inauguração aconteceu no dia 03 de junho de 1922.
 Igreja dos Capuchinhos (fotografia por volta da década de 40).

CATEQUESE INDÍGENA E PRIMEIRAS RESIDÊNCIAS



Unindo a vontade do bispo em aumentar o número de sacerdotes no Maranhão, junto com os planos de frei Carlos para uma catequese indígena, um ano após a reabertura da sede paroquial em Barra do Corda, os frades deram inicio a um projeto audacioso, bem no centro das aldeias dos índios guajajara, a uma distância de 50km das cidades de Grajaú e Barra do Corda. 
Com a fundação do internato das meninas índias na colônia de Alto Alegre (1896) os frades concretizavam o plano de evangelização entre os índios, tendo em vista que no mesmo ano que chegaram à Barra, isto é, um ano antes (1895) também fundaram uma escola-externato. Com o internato de Alto Alegre, era necessário uma congregação de irmãs para cuidar das meninas índias.
Igreja Matriz de Barra do Corda-MA (fotografia de 1940)